Não vivo de poesia, vivo a poesia.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Erro

Erro é teu. Amei-te um dia
Com esse amor passageiro
Que nasce na fantasia
E não chega ao coração;
Não foi amor, foi apenas
Uma ligeira impressão;
Um querer indiferente,
Em tua presença, vivo,
Morto, se estavas ausente,
E se ora me vês esquivo,
Se, como outrora, não vês
Meus incensos de poeta
Ir eu queimar a teus pés,
É que, — como obra de um dia,
Passou-me essa fantasia.

Para eu amar-te devias
Outra ser e não como eras.
Tuas frívolas quimeras,
Teu vão amor de ti mesma,
Essa pêndula gelada
Que chamavas coração,
Eram bem fracos liames
Para que a alma enamorada
Me conseguissem prender;
Foram baldados tentames,
Saiu contra ti o azar,
E embora pouca, perdeste
A glória de me arrastar
Ao teu carro... Vãs quimeras!
Para eu amar-te devias
Outra ser e não como eras...

Poesia, Crisálidas, 1864. Machado de Assis.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Verdades Sobre as Férias

Nas férias é bom porque,

Da pra lavar o cabelo com mais frequência
Por a conversa em dia com o porteiro
Ficar flertando com o nada
Ver os filmes idiotas
Olhar o céu
E...
Até compor um poema
De
Cres
Cente.

Lorena Sabino 
Goiânia 25 de junho de 2013.

Aos Platônicos



Como se pode, então
Admirar
Só por se observar
Ver
Talvez foi um perfume
Um olhar entrelaçado
Vago
Uma beleza discreta
Porém única
Uma presença
Que dá vontade de sentir
Mas nada justifica
Uma inclinação
Sem ao menos conhecer
Quem explica
Quem compreende
Caso sério
Prejudicial
Não faz bem ao coração
Viver só de ilusão.


Lorena Sabino

Porto

Fizeste da vida
Um porto inseguro
Com um navio à deriva
Empossado e velho
Que agora
Já não se sabe

Para que serve
Talvez, para nada
Talvez para abrigo de pássaros
Talvez essa seja sua esperança.

Lorena Sabino